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Esta minha poesia <> Simples como o meu valor <> São os sopros da magia <> Com que descrevo o amor!...
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Dedico este blogue aos que me compreendem, aos que me aceitam com defeitos e virtudes, e aos que me ajudam a existir e a SER FELIZ
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Rosa descolorida

Aquela rosa encarnada
Que para te dar colhi
Muito embora desfolhada
Fica bem ao pé de ti

Mesmo assim já me lembrei / De colher mais uma rosa
Porque a rosa que te dei / Deixou já de ser viçosa

Talvez tu sejas culpada / Da tristeza dessa flor
Tal como a rosa encarnada / Também tu perdeste a côr

Mesmo assim descolorida / E com a côr diferente
Tu serás eternamente / A rosa da minha vida

Suspiro da distãncia

Desta terra onde a saudade é bem maior
Mando a todos um abraço perfumado
Com aromas do mais dedicado amor
Perfumando a realidade do meu fado

Desta terra aonde o sonho prometido
Cada vez fica mais frio, mais distante
Mando a todos um olá enternecido
Envolvido num abraço penetrante

Desta terra onde me sinto um forasteiro
Ocupando um lugar que não é meu
Mando a todos este verso mensageiro
Retratando uma saudade que doeu

Também mando uma promessa de verdade
Á cidade que me deu a vida inteira
Nesta terra aonde vivo de saudade
Não encontro a felicidade verdadeira

Minha amiga saudade

A minha amiga saudade
Surgiu-me sem avisar
E sem justificação;
Com natural crueldade
Veio apenas p’ra deixar
Um aviso ao coração

Na sua lei tão sensata
Reconheci o valor / Duma razão decidida
Qaundo a saudade não mata
Deixa sempre aquela dôr / Que nos vai marcando a vida

A minha saudade atroz
Partiu p’ra outra paragem / Mas deixou-me acompanhado
Deixou-me fado na voz
E deixou-me esta coragem / Com que dou voz ao meu fado

Código descrente

Este código descrente
Que não posso decifrar
Tem a força permanente
Do nome que te vou dar

Só tu sabes decifrar / A minha ansia real
E consegues limitar / A ternura natural

Tens a forma sensual / Duma sereia encantada
E tens o dom genial / Duma fada abençoada

É por ti que a madrugada / Tem o brilho e o fulgor
Duma mãe realizada / Pelo ventre do amor

Clarão Infernal

Vestida de branca lua
Inundaste a minha rua
Com o teu brilho divino;
Tocado p’la emoção
Julguei ver no teu clarão
O farol do meu destino

Quase em profissão de fé
Segui-te, pé ante pé / Como quem segue uma estrela
Nesse caminhar tão firme
Tão casto, tão sublime / Imaginei-te aguarela

Mas a beleza apagou-se
O clarão evaporou-se / E tudo ficou igual
Despida de branca lua
Deixaste na minha rua / Este clarão infernal

Mensagem da distãncia

Daqui, desta cidade apetecida
Refúgio do meu fado redentor
Te envio rosas brancas, minha querida
Em paga do teu doce e grande amor

Daqui também te envio este poema
Ditado pela voz com que te canto
Tu és musa real deste meu tema
Por ti, a solidão não me dói tanto

Aqui, nesta distãncia que faz lei
O luar não tem um brilho natural
Confesso meu amor, que já nem sei
Se a vida é primavera ou vendaval

Vou tendo a minha cruz, mas no entanto
Consigo ser feliz, porque te quero

Apenas tenho sonhos de quebranto
Na noite em que por ti sou desepero

Nosso mundo, nossa história

O mundo que me vê, não me conhece
Nem sabe porque sou deste tamanho
Na hora em que te dou o que não tenho
O mundo é uma história que acontece

O mundo é uma canoa flutuante
Perdida neste mar chamado vida
A praia que desejei fica distante
Da nossa tempestade acontecida

O mundo é um vulcão assustador
Rasgando a terra-mãe do sentimento
A fúria que provém do teu amor
Não dura muito mais que um fraco vento

Mas mesmo assim eu quero esse teu vento
Aonde o meu amor não arrefece
Quando de ti recebo sentimento
O mundo é uma história que acontece

Coisas que a noite me deu

A noite deu-me um lápis de ansiedade
Para pintar o brilho que não tenho
Também me deu um sonho... sem côr e sem tamanho
Maior, muito maior que esta saudade

A noite deu-me um lápis de carvão
Da côr do teu olhar que já não vejo
Também me deu o sal dum longo beijo
Trocado sem razão e sem paixão

A noite deu-me um lápis de poesia
P’ra rimar o perfil da tua boca
Oferta tão gentil... de coisa rara e pouca
Enchendo a minha alma de magia

A noite deu-me tanta, tanta coisa
Que nem sei qual foi delas a melhor
Mas tu és uma ave que não poisa
No beiral do meu fado em desamor

Jovem poeta

Aquele jovem poeta
Que, quase timidamente
Escreveu versos á lua
Hoje é rei da rima certa
Figura omnipresente
Quando a poesia flutua

Cada verso, uma mensagem
Enviada ao coração / Pelas leis do pensamento
Quatro sopros de coragem
Numa quadra em que a razão / Tem força e encantamento

Aquele jovem poeta
Menos jovem do que era / Menos velho do que é
Ainda faz da caneta
A alma da primavera / Com o fado por maré

Tribunal do amor

Ao tribunal do amor
Foi a saudade depôr
Num processo bem antigo;
Levou como advogado
O nosso bendito fado
Seu fiel e grande amigo

Com grande leviandade
Acusaram a saudade / De fazer chorar o mundo
Disseram até que um sonho
Morreu muito mais tristonho / E de desgosto profundo

Melhorou a situação
Quando o senhor coração / Se fez ouvir com agrado
Dizendo num tom bem forte
Que o rumo da nossa sorte / Depende do nosso fado

A audiência findou
Quando o juíz decretou / Esta lei de sensatez
Em nome do sentimento
A saudade fica dentro / Do coração português

Poema louco

Dá-me um poema que me fale docemente
Na luz intensa que brilhou na tua voz
Dá-me também uma saudade diferente
Mesmo que o tempo corra muito mais veloz

Dá-me uma nuvem carregada de prazer
Que não esconda a sedução do teu sabor
Dá-me também um coração sempre a bater
Que tenha a luz angelical do teu amor

Dá-me uma flor que tenhas aromas da manhã
P´ra perfumar o esplendor duma aventura
Dá-me também o sumo doce da romã
Para matar a minha sede de loucura

Preciso tanto do calor da tua mão
Para sentir fogo, no peito adormecido
Também preciso duma doce tentação
Para matar este meu sonho proíbido

As manhãs da vida

Nas manhãs dum dia novo
Sentem-se passos dum povo
Que faz da força, razão
E que vai de rua em rua
Com a grandeza que é sua
Ganhar o sabor do pão

Nas manhãs que a vida tem
Há uma brisa que vem / Agitar a existência
E há nuvens de labor
Que adivinham o suor / Da nobre sobrevivência

Nas manhãs dum dia triste
Já quase ninguém desiste / De sonhar, mesmo acordado

No entanto, a luz do dia
Encobre a melancolia / Dum rosto que vai cansado

Boca namoradeira

Não consigo controlar ... mesmo que queira
A minha boca tão louca ... e carinhosa
Que vai teimando em ficar ... a vida inteira
Namorando a tua boca ... tão formosa

Este meu amor sedento ... delirante
Quer sua paixão queimar ... nessa fogueira
E a loucura do momento ... alucinante
Não consigo controlar ... mesmo que queira

Comparada c'oa grandeza ... da paixão
Tua paixão é bem pouca ... mas gostosa
Na tua boca anda presa ... d'ilusão
A minha boca tão louca ... e sequiosa

Vens p'rra mim, e eu darei ... desta maneira
O meu coração em troca ... gloriosa
Que vai teimando em ficar ... a vida inteira
Namorando a tua boca ... tão formosa

O jardim do coração

Roubei ao sentimento das palavras
O sumo das palavras por dizer
E como quem recebe rosas bravas
Reneguei o perfume do prazer

Sorvi a majestosa substância
Que vem, com o chegar das primaveras
E reneguei o tempo da distãncia
No tempo, em que o tempo são quimeras

Depois remediei a minha dôr
Com versos decretados p´lo amor
Duma vulgar mas singular paixão

E como quem planta rosas bravas
Plantei a essência das palavras
No jardim a que chamam coração